Crítica: ‘Os Descendentes’ – Em Família Tudo Se Perdoa
   

George Clooney se mudou para o Havaí por conta de ser o descendente de uma família havaiana e herdar um vasto pedaço de terra da ilha paradisíaca e pelos últimos quinze anos ele viveu a rotina de um advogado de sucesso que tinha como única preocupação prover a família composta de mulher e duas filhas financeiramente. Até que em um não tão belo dia, sua mulher sofre um acidente grave e ele se vê obrigado não só em cuidar das meninas, mas também reencontrar a noção de família há muito perdida.

O enredo é assim mesmo super repetido e soa como mais do mesmo, no entanto é desse jeito despretensioso que ‘Os Descendentes’ (The Descendants) vem contar a história dessas pessoas. O diretor Alexander Payne é exímio nessa área e consegue criar uma pequena crônica familiar reavaliando os laços que os une. Matt King interpretado por Clooney, está perdido, não tem a menor ideia de como lidar com a situação, dividido entre o efeito do acidente em si e as descobertas ocasionadas por ele, a filha mais velha Alexandra (Shailene Woodley) passa pela tradicional fase rebelde, isolada e envolta em bebedeiras e a mais nova Scottie (Amara Miller) experimenta ampliar o vocabulário por meio palavrões dos quais o pai nem sonhava que ela conhecesse. Agora os três reunidos somados os amigo de Alexandra, Sid (Nick Krause) precisam aprender a conviver entre si e especialmente Matt, outrora distante é levado a uma jornada de descobrimento que incluí não somente as pessoas ao seu redor como ele próprio.

Ao traçar um retrato dos familiares o roteiro assinado por Payne, Nat Faxon e Jim Rash baseado no romance de Kaui Hart Hemmings, teve o cuidado de apresentar pessoas reais com personalidades distintas umas dos outras, sem serem certinhas demais. Na verdade o filme passa ao longe das jornadas de autoconhecimento padrão, do fazer o certo ou acertar nas escolhas o tempo todo. Prima mais por uma maneira de sobreviver à realidade pela qual aquelas pessoas enfrentam no momento. Unidos pelo sangue, mas distantes na convivência eles visam encontrar uma saída comum para minimizar a dor.

Em algum momento dos dilemas encarados pelos King (mais Sid), somos levados a acreditar de fato que exista uma família ali, tamanho o entrosamento entre eles. Notório por seus recentes trabalhos George Clooney vive hoje seu melhor momento seja como ator ou como diretor. Ele está maduro e os elogios que vem alcançando em seus desempenhos frequentemente são reais, aqui ao encarnar esse pai tão desestruturado, ele imprime naturalmente afeto pelo personagem por parte do espectador. As cenas entre ele e suas filhas são as mais delicadas e comoventes da história, mesmo quando tratadas de forma cômica ou cercadas de pequenas bombas domésticas. Mérito também de Alexander Payne que tem a capacidade de extrair atuações primorosas de seus atores, é o caso dos novatos Sheilene Woodley, Amara Miller Nick Krause. O jovem trio fornece os momentos mais divertidos de todo o filme, deixando a narrativa mais leve e descontraída sem beirar a pieguice.

‘Os Descendentes’ têm como seu maior bônus tratar com leveza e inteligência um tema triste e incomodo que aqui é convertido em algo muito singelo.

Confira o trailer legendado:

 

 
 

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